30/01/2016

FORNASETTI: IRREVERENTE, PROVOCATIVO E PÓS-MODERNO

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Piero Fornasetti é um artista muito admirado nos dias de hoje, inclusive por duas colaboradoras do Studio Lab Decor: Andrea Martins e Isabella Blanco. Enquanto Andrea, diretamente da Itália, nos presenteou com o texto de hoje, Isabella trará para a gente em um próximo By The Way um pouquinho do que viu na Barneys, em Nova York: peças icônicas, muitas delas estampadas com o rosto da soprano Lina Cavalieri, musa inspiradora da famosa série “Tema e Variazoni” –  a história de Lina também será assunto para um terceiro post, em breve!

A apresentação de Fornasetti por Andrea não poderia estar melhor.Confira!!

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Me apaixonei pela obra de Fornasetti assim que fui apresentada a ela alguns anos atrás. Não conhecia nada sobre o artista e comecei a procurar informação, o que me tornou ainda mais fã dessa figura irreverente.

Piero Fornasetti nasceu em 1913, em Milão, norte da Itália. Aos 17 anos, contra a vontade de seu pai, ele se inscreveu na Academia de Belas Artes de Brera, mas,dois anos depois foi expulso por insubordinação, o que já demonstrava o caráter forte de um artista que não estava disposto a ceder aos costumes da época. Grande leitor e desenhista desde criança, Fornasetti se considerava autodidata e só se guiava por suas próprias escolhas.

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Ateliê de Fornasetti (via Facebook)

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Aos 20 anos participou da famosa “Triennale” de Milão, expondo echarpes em seda estampadas por ele. Fornasetti era um artista eclético e dominava técnicas de impressão em vidro, cerâmica, tecido, madeira e papel. Na ocasião, seu talento chamou a atenção do já renomado arquiteto italiano Gio Ponti. A parceria entre os dois, mais efetiva a partir de 1940, deu início a uma série de grandes trabalhos, como móveis, luminárias, capas de importantes revistas de decoração e arquitetura, além de pinturas em paredes de prédios importantes, como os afrescos do Palácio Bo de Pádua.

Porém, nem tudo foi fácil na carreira de Fornasetti. Nas décadas de 1960 e 1970, a Europa privilegiava as grandes escolas de artes decorativas e de design, sem dar espaço aos artistas alternativos e irreverentes, considerados à margem das tendências. Fornasetti, com seu estilo ousado e provocativo, foi mal compreendido e subestimado pela sociedade da época. Seu grande ressentimento foi não ver suas obras expostas em Paris, uma de suas cidades preferidas.

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A partir dos anos 80, o mundo voltou a enxergar com bons olhos a arte singular do artista que se auto definia como pós-moderno e se inspirava em ícones como Picasso e De Chirico. Ele abriu butiques em Milão, Veneza e Turim. Em 1991, três anos após sua morte, o museu Victoria & Albert de Londres dedicou uma grande exposição a Piero Fornasetti. Até que em 2015 finalmente o Museé des Arts Décoratifs de Paris rendeu a justa homenagem a esse artista versátil, que foi pintor, desenhista, decorador, editor, colecionador e marchant.

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Eu tive o prazer e a oportunidade de visitar “La Folie Pratique”, que expôs mais de mil peças do artista. Pude ver móveis e objetos originais feitos por ele, pude entrar no ambiente que reproduzia a sala da sua casa e conhecer curiosidades, como um livro de poesias de Neruda, ilustrado pelo artista.

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Pra quem não teve a mesma sorte, tenho certeza de que depois do sucesso enorme da “La Folie Pratique”, outras exposições virão em breve. Aviso vocês aqui no Studio Lab!!

por Andrea Martins

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