09/11/2017

Uma visita à PARTE, Feira de Arte Contemporânea, com a marchand Flavia Millen

A PARTE, feira de arte contemporânea, chega a sua sexta edição reunindo 45 galerias e revelando novos talentos da nossa cena artística. O evento, que acontece no Clube A Hebraica, traz novidades este ano: as seções “Coletivos”, que dá espaço para grupos de artistas independentes, e a “Solos”, que apresenta exposições individuais de jovens artistas representados por renomadas galerias. A Marchand de Arte Flavia Millencolaboradora do Studio LAB, esteve na abertura da feira e revela um pouco das suas impressões: melhores estandes, artistas promissores, novas propostas e arte acessível.

Litologia e arte

Um trabalho que achei muito interessante foi o da Roberta Tassinari, uma artista representada pela Galeria Aura. Na feira, ela apresenta uma série de esculturas de parede que tem o concreto como principal elemento. Em cima desse concreto, ela trabalha com tinta, cera e outros materiais, atingindo um resultado bem contemporâneo.

Seguindo a mesma linha, no estande do lado, destaca-se uma  artista chamada Vera Havir. Ela faz um trabalho que explora pedras naturais, no sentido da informação que elas carregam. Então, a artista coleta as pedras em lugares diferentes, em viagens, e ao mudá-las geograficamente de lugar, atribui a elas uma nova camada de significados. O trabalho dela também passa pela criação: ou ela usa a pedra na própria colagem ou ela recria essa textura e essa informação da passagem do tempo que está intrinsecamente ligada à pedra.

Paisagens tridimensionais

Depois, no estande da Jacqueline Shor, a gente se depara com um artista latino-americano chamado Osvaldo Gonzalez. Ele cria um trabalho muito intrigante, que lembra uma pintura, mas que é feito com fita adesiva, daquelas marrons usadas para embalar caixas de correio. Ele faz esse “desenho” sobre acrílico e coloca uma fonte de luz atrás da peça.  São verdadeiras pinturas tridimensionais, que parecem fotografias. Gosto bastante e tenho acompanhado o trabalho dele. Ele é um artista jovem, mas que está trilhando um caminho bastante promissor.

Espaço dedicado aos Coletivos

Logo na frente do estande da Jackie Shor está o Grupo Aluga-se, que integra a seção Coletivos da feira, uma das novidades desta edição – outro grupo de artistas que me chamou atenção foi o Rifa. O interessante é que esses coletivos são formados por amigos, artistas que se dão bem, mas que não são representados por nenhuma galeria. Juntos, eles decidiram seguir pelas próprias pernas, fazendo o próprio percurso. Então, eles conseguem estar na feira de forma independente, combinam ações e expõem as suas obras.

E são obras a preços acessíveis, mas bem interessantes e com uma curadoria divertida! Ao comprar uma obra do Grupo Aluga-se, por exemplo, você recebe um balão de festa com uma surpresa dentro. Pode ser desde um desconto, como uma frase que passa a ser sua, uma surpresa poética! Gosto principalmente do trabalho da fotógrafa  Yara Dewachter.

Bacana também é a ideia do Coletivo Rifa. Eles resolveram montar uma exposição diferente a cada dia de evento, todas elas monocromáticas. A de ontem era em tons de preto, cinza e branco. Hoje parece que eles vão mudar o estande todo para azul, amanhã outra cor e assim até domingo. Mas a brincadeira não parou por aí: além dos trabalhos à venda, é possível adquirir uma rifa de R$ 50. Todo dia, às 20h acontece o sorteiro de uma obra que vale, obviamente, mais do o valor da rifa! Uma proposta diferente, um jeito legal de movimentar, criar um burburinho, de trazer esse lado divertido e irreverente que faz parte do funcionamento de um coletivo de artistas.

Ontem, gostei especialmente do trabalho do Dedé. Ele faz cortes a laser em borracha ou couro criando peças que parecem de mármore, madeira, concreto… Achei fantástico!

Seção “Solo”

Os estandes da Galeria Vermelho, da Casa Triângulo e da Galeria Millan, que são três galerias fortes e muito importantes, estão ocupando o mesmo espaço na feira! Achei superbacana terem criado quase um “coletivo de galerias”! Claro, que cada uma com seu artista, mas está todo mundo ali, meio junto no mesmo espaço, que acabou virando um estande grande, movimentado e superdivertido. As três estão com solo de artistas.

A Casa Triângulo levou o Lucas Simões, que é um artista que admiro faz muito tempo – achei superacertada a escolha da galeria! Tenho acompanhado o quanto o trabalho dele está crescendo e evoluindo no mercado, inclusive ganhando valor econômico. Na Parte, é possível ver obras novas, que continuam na mesma linha de trabalhos anteriores feitos de concreto, com texturas, mas agora ganham um pouco de cor. E ainda tem os abismos, que são os trabalhos mais conhecidos dele. Adoro indicar o Lucas para os meus clientes, acho ele muito consistente como artista.

A Vermelho está com um jovem artista chamado Guilherme Peters. Ele trabalha várias mídias, gosta também de colocar amplificador de som em suas obras. A solo de Peters tem três trabalhos e um é esse um tanto geométrico e sonoro. Outro é uma pintura feita com metal oxidado que lembra um mapa antigo e retrata alguns monumentos históricos e ícones arquitetônicos. É um trabalho visualmente muito rico, desenvolvido por um artista de uma galeria conceituada, mas que tem um valor mais acessível.

Já a Millan está com solo do Guilherme Ginane, que desenvolve pinturas a óleo fortes em cor.  Eu não conhecia esse trabalho, mas vi ontem de perto e fiquei interessada. Novamente, achei na medida certa a aposta da galeria para o programa Solo da feira.

Galerias digitais na Parte

Outro ponto muito relevante da Parte é a presença de galerias digitais. Essa é uma tendência que já é superforte fora do Brasil e que aqui está começado a se desenvolver. Acho corajoso a ideia de uma galeria expor virtualmente. É claro que existem obras que se adaptam melhor à venda online, como as gravuras e ilustrações, enquanto outras são mais desafiadoras, como é o caso das esculturas. Por isso, é importante que essas galerias participem de feiras como a Parte, um momento perfeito para o público conhecer os trabalhos dos artistas ao vivo.

Serviço:

Feira de arte contemporânea PARTE 2017

Quando: de 09 a 12/11/2017| De quinta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h

Onde: Clube A Hebraica | Rua Dr. Alberto C. de Melo Neto, 115

Infos:  www.feiraparte.com.br

Por Flavia Millen

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